Enquanto a guerra dos Estados Unidos contra o Irão continua a dominar as manchetes, a administração Trump intensifica simultaneamente os seus ataques a suspeitos de tráfico de droga nas Caraíbas, ataques que vários juristas continuam a classificar como ilegais.
"Muitos esperavam que os ataques sem fundamento legal – que equivalem a matar suspeitos de crimes sem julgamento – terminariam após as forças norte-americanas capturarem [o presidente venezuelano Nicolás] Maduro no início do ano", escreveu o analista de política externa Max Boot num artigo de opinião publicado segunda-feira no The Washington Post.

"Houve, de facto, uma pausa em tais operações. Após a realização do 34.º e 35.º ataques a embarcações a 31 de dezembro, as forças militares não realizaram mais nenhum até 23 de janeiro. Mas desde então, os ataques intensificaram-se novamente. Pelo menos mais 19 ataques foram realizados entre 23 de janeiro e 26 de abril – uma média de um a cada cinco dias."
Boot sugeriu que a administração Trump tinha plena consciência de que a sua defesa dos ataques "ilegais" era frágil, apontando para a prática da administração de libertar suspeitos de tráfico de droga que tinham sobrevivido aos ataques norte-americanos, em vez de os deter. Quanto ao motivo pelo qual a administração Trump estava agora a intensificar as suas operações nas Caraíbas, Boot avançou uma teoria perturbadora.
"Existe uma maior disposição por parte das forças armadas dos EUA para praticar atos ilegais", argumentou Boot.
Além disso, Boot alertou que a crescente disponibilidade da administração Trump para levar a cabo operações "flagrantemente ilegais" não augura bem para o futuro.
"O Congresso votou resoluções para suspender os ataques, que violam a Lei dos Poderes de Guerra, mas foram rejeitadas por margem estreita, e mesmo que tivessem sido aprovadas, Trump poderia ter exercido o direito de veto", escreveu Boot.
"Ficamos assim com o perturbador espetáculo das forças militares dos EUA a continuar a cumprir ordens que especialistas externos (mesmo que não os próprios advogados da administração) classificam como flagrantemente ilegais. Se os generais escolhidos a dedo por Trump estão dispostos a agir de forma tão gravosa neste caso, o que mais poderão fazer no futuro?"


