Ben Shapiro acaba de dar aos seus críticos tudo o que sempre quiseram — e depois explicou por que isso não importa, escreveu um analista no sábado.
Numa análise contundente publicada na sexta-feira, o escritor Mike Brock argumentou que a recente aparição de Shapiro no podcast de Sam Harris constituiu a mais devastadora autoacusação por parte de um defensor de Trump em anos, devido ao que Shapiro concedeu voluntariamente.

Segundo Brock, Shapiro concordou praticamente com todas as críticas liberais a Trump registadas.
"Ele concede que a corrupção familiar de Trump 'o surpreendeu'. Ele concede a catástrofe das tarifas. Ele concede que os apoiantes leais são desqualificados. Ele concede que a recontextualização do 6 de janeiro é 'corrosiva para a cultura americana'. Ele concede que a resposta de Trump a assassinatos políticos é 'verdadeiramente terrível e, na minha opinião, algo moralmente ultrajante'. Ele concede que Trump 'pediu a prisão de governadores e autarcas e chegou mesmo a pedir que membros do Congresso fossem enforcados por sedição'. Ele não contesta a caracterização de Sam de que Trump tentou reverter as eleições de 2020. Ele afirma-o explicitamente: 'Penso que o que ele fez entre as eleições e o 6 de janeiro foi bastante arriscado, como deixei claro repetidamente.'
E depois Shapiro disse que voltaria a votar nele.
"Os mecanismos de contenção aguentariam em grande medida... os seus piores erros acabariam por ser mitigados pela resistência da realidade", insistiu Shapiro.
Quando Harris pressionou Shapiro sobre se algum disto era desqualificante, a resposta de Shapiro foi de quatro palavras: "Desqualificante em que sentido?"
O veredicto de Brock foi demolidor. Shapiro, argumentou ele, construiu um modelo contabilístico no qual uma tentativa de golpe de Estado é simplesmente um item a ser ponderado face à política fiscal, o que o próprio Shapiro designou de "pacote".
Brock argumentou que a lógica de Shapiro resume-se a um cálculo simples: aceitar o aspirante a ditador porque também se obtém o corte de impostos, os juízes conservadores, o alinhamento com Israel e a reversão das políticas DEI.
"O canalizador arranja a sanita", escreveu Brock. "As pegadas no chão são o custo de fazer negócios."
Brock concluiu que o próprio modelo era lunático.
"A posição é uma loucura, e é preciso entender, no caso do Sr. Shapiro, que a loucura é também muito o ponto central. Não se trata de ele acreditar no que diz. Trata-se de ele acreditar que é necessário dizê-lo, independentemente da verdade, de forma a convencer as pessoas, na linguagem do discurso liberal, por que razão devem votar no iliberalismo", escreveu Brock.

